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  Entrevista Motivacional  
  Entrevistado: Elizabeth Meyer  
     
  ATCPR - Basicamente, como podemos definir a entrevista motivacional?  
  Elisabeth Meyer -É uma maneira de ajudar uma pessoa a mudar um comportamento alvo, algo que ela não considera bom, e, mais do que ajudá-la a mudar, ajudá-la a manter essa mudança de comportamento. É uma abordagem que usamos em determinadas fases de um tratamento. Mas são técnicas e estratégias que não se limitam aos pacientes. Nos Estados Unidos, onde essa técnica se desenvolveu, ela é utilizada bastante em empresas e faculdades, no gerenciamento de carreiras. É você ajudar a pessoa a se mover pra frente. Ajudar, por exemplo, um aluno a encontrar seu melhor caminho para alcançar um alvo. Ela não precisa ser usada necessariamente na área da saúde.  
     
 

ATCPR - Em que tipo de situação essa técnica é utilizada?

 
  Elisabeth Meyer - Sempre que você precisa mudar algum comportamento, a entrevista motivacional pode ajudar. Ela é realmente útil quando o paciente está ambivalente, quando não sabe qual decisão tomar. Sempre que há dúvidas, podem ser utilizadas determinadas técnicas da entrevista motivacional.  
     
  ATCPR - E como ela se relaciona com a prática da terapia cognitiva comportamental (TCC)?  
  Elisabeth Meyer - A TCC é um tratamento e, dentro deste tratamento, nós podemos utilizar a abordagem da entrevista motivacional. Em geral, em qualquer situação. A entrevista motivacional entra no início do tratamento, quando o paciente não tem certeza se deveria ou não fazer o tratamento.  
     
  ATCPR - Você falou bastante em mudança de comportamento. É preciso que o paciente esteja disposto a mudar o comportamento, ou seja, que não haja barreiras por parte do paciente, para usar esta técnica?  
  Elisabeth Meyer - Não necessariamente. Você pode usar essa técnica para fazer com que o paciente perceba que precisa mudar. Isso vai ser utilizado lá no início do tratamento. Tanto a entrevista motivacional como os estágios de mudança, duas técnicas que utilizamos simultaneamente, mostram como a pessoa percebe que precisa mudar um comportamento. É uma técnica utilizada nos estágios de mudança, principalmente no primeiro estágio, que a pessoa não quer mudar, de pré-contemplação.  Nós fazemos com que, por exemplo, o paciente ouça dele mesmo por que ele deveria parar de fumar ou pelo menos considerar parar de fumar.  
     
  ATCPR - Pois uma reflexão seria mais efetiva...  
  Elisabeth Meyer - Exatamente. Nesse primeiro momento, a gente busca uma reflexão do paciente; já no segundo, usamos a entrevista motivacional para sedimentar a importância da mudança do comportamento. O mais legal da entrevista motivacional não é o que eu digo para o paciente, mas o que eu provoco que o paciente diga para ele mesmo, a escuta reflexiva. Às vezes, quando o paciente está ambivalente ou inflexível, ele vai tentar dizer por que ele não precisa dessa mudança, e quanto mais ele disser e se escutar dizendo, mais ele vai se convencer de que não precisa desta mudança.  
     
  ATCPR - Como é a técnica utilizada?  
  Elisabeth Meyer - A técnica é como você fala e o que falar naquele momento, é criar situações em que eu sei que necessariamente o paciente vai pensar em uma mudança. E a cada nova posição, deve-se pensar qual frase deve ser utilizada para levá-lo para um novo estágio. A gente deve tentar mostrar pro paciente que cada situação tem dois lados e que talvez ele deva avaliar os dois, mas nunca dizer qual ele deve seguir.  
     
  ATCPR - Tem certo e errado?  
  Elisabeth Meyer - Não, tem a maneira melhor e a maneira não tão melhor. Ela não é julgamental. Pode-se pensar que uma estratégia, que um caminho, será mais fácil de atingir um objetivo do que o outro, mas não que um é errado e o outro não.  
     
  ATCPR - Os profissionais têm consciência de que essa técnica pode ser utilizada em outros ambientes que não o de saúde?  
  Elisabeth Meyer - Eu acho que aqui no Brasil, não. Mesmo na área da saúde, campo em que a técnica começou a ser usada, tem muita gente que nem sequer ouviu falar dela. Há um bom conhecimento na área de tratamento de dependência química, mas é pouco conhecida fora disso. Ainda assim, realizamos pesquisa em outras áreas, como o transtorno obsessivo compulsivo, em que os resultados foram muito bons.  
     
  ATCPR - Como essa técnica poderia ser utilizada no ambiente das empresas?  
  Elisabeth Meyer - Pessoalmente, eu não sei quais empresas usam a abordagem no Brasil. Nós procuramos algum estudo sair ou conversamos com empresários informalmente, mas nada muito concreto. Nos Estados Unidos isso é bastante utilizado para fazer com que os funcionários percebam a importância de fazer cursos de aperfeiçoamento, de investir nas carreiras, e entendam como isso seria benéfico para eles, que eles pensem a curto e longo prazo. O processo de coaching usa técnicas semelhantes, mas não com esse mesmo nome. O benefício viria com um crescimento pessoal do colaborador e com a empresa também crescendo.  
     
   
     

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